quinta-feira, 31 de março de 2011

As avenidas numeradas do Alecrim


Alecrim
As Avenidas Numeradas Vêm desde a Criação do Bairro
Itamar de Souza

Na parte mais alta do Alecrim, as avenidas e ruas foram traçadas em forma de xadrez à semelhança do que foi realizado nos bairro Petrópolis e Tirol no início do século XX.
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As avenidas do Alecrim, a partir da Presidente Quaresma, receberam a numeração de 1, 2, 3, 4, 5 até chegar a 18. Foram igualmente numeradas as artérias que cruzam estas avenidas no sentido Leste-Oeste. Quando foi realizado este traçado e a numeração destas avenidas e ruas? Tudo indica que ele foi feito antes da criação do bairro do Alecrim. Já vimos que este bairro foi criado em 1911.

Certa vez, disse-me o Dr. Boanerges Soares de Araújo, advogado e estudioso do passado de Natal, que o traçado das ruas e avenidas do Alecrim foi obra do arquiteto Antônio Polidrelli, o mesmo que foi contratado pelo governo municipal para o traçado da Cidade Nova (Petrópolis e Tirol, de hoje), em 1903.

Entretanto, confesso que nunca conheci nenhum documento que me confirmasse, ou não, este depoimento do Dr. Boanerges Januário Soares de Araújo. No entanto, encontramos, no jornal A República, vários pedidos de aforamento de terreno dirigidos à Intendência Municipal de Natal, onde surgem as avenidas numeradas antes de 1920. Assim, em maio de 1907, “Manoel Alexandrino Cândido, requerendo aforamento de um terreno [...] na estrada que liga o Lazareto a avenida 8” (A República, 18 de maio de 1907, p. 3).

Em 1912, as provas são abundantes. Assim, em agosto daquele ano, o jornal A República, no dia 22, trazia o seguinte registro: “Antônio Bertulino de Souza, aforamento de um terreno, na avenida 1, no subúrbio”.

No dia 29 de agosto de 1912, o mesmo jornal trazia outros pedidos de aforamentos nos seguintes termos:

Richards Burgers, requerendo aforamento de um terreno na avenida n.º 2, no subúrbio, limitado pelo sul com a avenidade nº. 15 e pelo oeste com Perceval Caldas (...); Richards Burgers, requerendo aforamento de um terreno na avenida Jaguarary, no subúrbio, limitado pelo norte com a avenida n.º 2; Erneste Walter Link, requerendo aforamento de um terreno na Estrada de São José, no subúrbio desta capital, limitado pelo sul com a avenida de n.º 2.
No dia 2 de outubro de 1912, o mesmo jornal trazia o seguinte registro: “Pedro Rufino dos Santos, requerendo aforamento de um terreno ...
Diante de tantas provas, não podemos concordar com aqueles que sustentam, por dedução, que a numeração das avenidas e o seu respectivo traçado, teriam sido feitos em 1929, quando Giacomo Palumbo fez o Plano de Sistematização da cidade.

Presidentes e Tribos Indígenas são as Novas Denominações

Em 1929, quando o Dr. Omar O’Grady, prefeito de Natal, contratou o arquiteto Giacomo Palumbo para fazer o Plano de Sistematização da Cidade, solicitou, ao mesmo tempo, ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, que sugerisse nomes de personagens históricos para se fazer uma denominação mais racional das ruas de Natal e, particularmente, do Alecrim, bairro em expansão.

Em atendimento a este pedido, o Dr. Nestor dos Santos Lima, presidente do Instituto Histórico, relacionou 167 nomes históricos e os entregou ao prefeito (A República, 16 de julho de 1930). Por conseguinte, foi baseado nestas sugestões que a Prefeitura de Natal colocou, no Alecrim e no bairro de Lagoa Nova, nomes de presidentes da Província do Rio Grande do Norte, isto é, nomes de pessoas que governaram o nosso Estado no período colonial e durante o império.

Iniciativa semelhante foi tomada em relação às nossas tribos indígenas, quase todas dizimadas no século XVII, ao tempo da Guerra dos Bárbaros.

A colocação dos nomes dos presidentes da Província e das tribos indígenas ocorreu entre as décadas de 30 e 40.

A partir desta época, a avenida 1 passou a se chamar Presidente Quaresma, homenagem a Basílio Quaresma Torreão, que governou a Província de 1833 a 1836.

A avenida 2 mudou para Presidente Bandeira, homenagem a João Capistrano Bandeira de Melo Filho, que governou a Província de 1873 a 1875.

A avenida 3 passou a se chamar Presidente José Bento, homenagem ao presidente José Cunha Figueiredo Junior, que nos governou de 1860 a 1861.

A avenida 4 tomou o nome de Presidente Sarmento, que administrou a Província de 1845 a 1847. Seu nome completo era: Cassimiro José de Morais Sarmento.

A avenida 5 recebeu a denominação de Leão Veloso, em homenagem ao presidente Pedro Leão Veloso que governou a Província de 1861 a 1863, e assim por diante.

A homenagem às Tribos Indígenas começa com a rua dos Canindés, antiga avenida 6; rua dos Caicós, antes, avenida 7; rua dos Pajeús, antiga 8; rua dos Paianazes, antiga avenida 10; e rua dos Paiatis, antiga avenida 11.

A avenida Cel. Estevam chamava-se, antes, avenida 9. As denominações da Amaro Barreto e Mário Negócio tomaram o lugar da avenida 12.

7 comentários:

  1. Quem vem de fora fica louco tentando entender que diabo de avenidas são essas. Não há em Natal um mapa ou uma única placa que identifique estas ruas pelos números, mas basta o forasteiro pedir informação na rua que vem esse monte de números e ninguém sabe dizer o nome oficial (que está em todos os mapas e placas). Talvez a prefeitura devesse voltar atrás e restabelecer a numeração original, simplificaria a vida de todos.

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  2. Sou apaixonado por estas histórias, na condição de natalense. Sempre tive conhecimento dessas ruas, principalmente desde a minha infância, por isso, acho que sempre teremos o imprescindível orgulho de podermos conhecer a origem da nossa cidade Natal, inclusive, desde a fundação do Forte dos Reis Magos, ou seja, de lá pra cá. Conhecer a memória de sua cidade é uma obrigação de cada um de nós. "Uma pessoa que não sabe os acontecimentos do passado não conhece a si própria."

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  3. Muito importante esse esclarecimento. Muita gente pensa que a numeração das ruas foi obra dos americanos durante a 2ª guerra mundial.

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  4. Deviam voltar com as ruas demarcadas por números, pois é assim que elas são conhecidas, até hoje. Os órgãos públicos querem impor as ruas do Alecrim com nomes de pessoas, ou tribos, e, dessa forma, matam a história da nossa cidade.

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